O chamado “roleplay” é pleno de virtudes e de características que me atraem e me fazem ver nele uma plétora de potencialidades (sub-aproveitadas na maior parte das situações). Diria que existem dimensões sociais, artísticas e até mesmo medicinais desta forma de convívio. Sim, defino-o sobretudo e primordialmente como uma forma de convívio, pois é a única característica que me parece permear toda e qualquer formulação possível e imaginária do roleplay (porque até num momento de roleplay “a solo” existirá mais do que um “actor” em jogo. se bem que roleplay a sós perde muito do seu brilho e pode até ser patológico, lol).

Se tivesse que definir as virtualidades do roleplay, acho que as distribuiria por cinco vertentes base, se bem que a terceira e quarta (lúdica e “social”) estão e/ou podem estar presentes em todas elas e a quinta (sexual) é uma forma muito badalada da 3ª (lúdica) mas que no entanto também pode ser utilizada com sucesso na segunda (medicinal).

As únicas que são verdadeiramente abordadas neste blog serão a LÚDICA e a SOCIAL, mas ao falar de roleplay e suas virtudes, achei por bem referenciar todas as outras. (vejam os post sobre “definições”)

Ora as cinco categorias/vertentes são…

Vertente Artística: Desde há séculos, milénios até, que a arte de representar proporciona excelentes espectáculos, desafiantes formas de expressão artística. Constitui, na minha opinião e de muitos outros, um dos maiores expoentes culturais de povos e nãçoes; quiçá da Humanidade. Excusar-me-ei a discursar acerca das virtudes e beleza da arte da representação, pois são por demais evidentes e porque me recuso a acreditar que ainda exista neste mundo quem não ame cinema ou teatro! :p

Vertente Medicinal: Num registo um pouco mais técnico e relacionado com a minha área de especialização, posso garantir-vos que as simulações de roleplay são uma das técnicas mais utilizadas e com melhores resultados (por vezes únicos) no tratamento de crianças com variadas disfunções cognitivas e/ou afectivas. Também são utilizadas técnicas destas para adultos, quer tenham disfunções psico-sociais acentuadas; indivíduos, casais, famílias ou até mesmo comunidades com o mesmo género de problemas (que podem ou não versar os aspectos sexuais), etc etc etc… As simulações de roleplay tornaram-se, por mérito próprio, uma ferramenta altamente eficaz para a prática da medicina e saúde mental.

Vertente Lúdica: Uma simulação de roleplay é, antes de tudo o mais, um convívio. É aclamado mundialmente como uma das melhores técnicas para “quebrar o gelo” entre novos parceiros de formação, trabalho, etc… Isto ocorre porque numa destas simulações, há sempre uma contribuição de cada indivíduo para a actividade, em que terá de ocorrer participação verbal e/ou gestual, usualmente associada a um certo grau de criatividade por parte dos intervenientes. Para além disto, o tipo de simulação pode por si mesma despoletar o riso ou, pelo menos, interessar e entreter os participantes (e observadores). Conheço poucos tipos de convívio que tenham esta capacidade de entreter; promover o conhecimento inter-pessoal e, se tudo correr pelo melhor, a aglutinação de um grupo. Ainda nesta vertente mas relacionada com a anterior (medicinal), pode ser das melhores formas de combater a timidez natural de algumas pessoas, promovendo a exteriorização do indivíduo, através da oralidade e produção criativa numa actividade que proporciona, ao mesmo tempo, prazer.

Vertente Social: A “jóia da coroa” das virtudes do roleplay, em meu entender. Engloba aspectos das duas anteriores vertentes e junta-lhes uma enorme diversidade nos propósitos, objectivos e formas de apresentação, para constituir um fenómeno que tem um potencial gigantesco e actualmente sub-aproveitado (a meu ver!). Para não tornar este post demasiado extenso, continuarei este assunto no próximo post, onde abordarei, ao mesmo tempo, a minha visão daquilo que podem/devem ser os jogos de roleplay de hoje em dia, sem desprimor para quem pratique formas castradas dos mesmos… Até breve!

Vertente Sexual: Uma particularidade da palavra “roleplay” é o facto de ser utilizada para definir o tipo de jogos sexuais em que há determinado tipo de “personificação”, por parte dos intervenientes, de pessoas/profissões/entidades/etc que não as verdadeiras. As tão badaladas “fantasias” de batas de enfermeiras/os ou as de agente da autoridade, são um exemplo típico daquilo que “roleplay”, nesta área específica, pode significar. Desde já aviso que não será esta vertente a ser explorada no blog, lol! Lamento meus caros leitores mas não! :P (para isso têm mtos outros na blogosfera…)