O “Setting”, o local espácio-temporal onde se vai desenrolar a acção do jogo de roleplay, é um dos elementos chave para o sucesso da aventura/acção/jogo. Nele se definem, logo desde o início, as premissas que vão condicionar o tipo de sessão, as leis pelas quais os jogadores se vão reger (ou não…), etc etc.
Na sequência da minha expressa vontade de tentar contribuir para o desenvolvimento e melhoria da qualidade de roleplay, o qual se processará, inevitavelmente, através da formação de jogadores e GMs/Storytellers; vou então continuar nas minhas “dicas” aos DMs, sejam eles novatos ou não, e começarei pelo acto da criação de um setting.
Qualquer DM já pensou em criar o seu próprio “setting”, mundo ou micro-cosmos particular…
No entanto, há muitos que se amedontram perante tamanho bico-de-obra; e com razão! Pois construir um setting é, de facto, a mais trabalhosa função possível de um DM. Talvez não a “mais impossível” (logo explicarei, lol), mas sem dúvida a que consumirá mais tempo e esforço intelectual em termos QUANTITATIVOS.
Ora vamos lá começar…
Logo desde o início é fundamental elaborar um método e um plano de trabalho; para que exista coerência no produto final. Assim, deve definir-se um esboço teórico de qual é o objectivo final a atingir, ou seja, que TIPO de Setting se quer criar.
O “tipo” de setting pode, de uma forma simplista, ser definido por uma pequena lista:
1- Grau civilizacional, tecnológico e científico;
2- Quantidade, diversidade e implantação do sobrenatural. Inclui magia, divino, e outros;
3- Conformação geográfica geral;
4- Factores de relevância global que não estejam incluídos nos três pontos anteriores (como, por exemplo, a localização/definição temporal; teorias criacionistas extra; funcionamento alternativo de leis da ciência, etc);
5- Nível de conhecimento permitido/fornecido aos jogadores (pode não parecer, mas é um dos mais fulcrais!);
6- Tipo de aventura para qual o setting vai ser utilizado
Os primeiros pontos vão definir os eixos fulcrais, ou as traves-mestre sobre as quais será criado o setting. No entanto, gostaria de começar por falar não nesses quatro mas sim dos últimos dois pontos; pois esses, embora sendo secundários em termos de relevância histórica para o setting em si, são primordiais para que o setting consiga cumprir a função original para a qual foi idealizado: servir de terreno de operações para um jogo de roleplay!
Assim sendo, eu diria que os pontos 5 e 6 são algo que deve estar sempre na mente do criador do setting; nomeada e mormente quando define as circunstâncias civilizacionais e científicas do “mundo”.
E pronto, este post serve apenas como introdução à criação do setting (daí ser a “parte zero” *duhh*); dentro em breve publicarei mais informação acerca do assunto, com dicas mais específicas acerca dos vários pontos que apontei como sendo os fundamentais.

